Sobre O Fiandeiro

foto2.jpgNada nos define melhor que a expressão do nosso pensamento.

O Fiandeiro é um blogue que funcionará como um “diário” da minha reflexão sobre acontecimentos, projectos e ideias.

Não sou particularmente hábil na utilização das tecnologias, em especial das novas tecnologias da informação. No entanto, reconheço a importância e a extraordinária oportunidade que trazem ao mundo cada vez mais global, encurtando as distâncias que nos separam e abrindo janelas ao conhecimento e ao diálogo através de um simples toque no teclado do computador.

Foi o desafio de abrir mais uma janela de diálogo que acabou por criar em mim a vontade de enfrentar esta aventura.

O nome deste blogue é uma homenagem que presto ao meu bisavô, Zeferino Moreira Coelho, figura que não conheci, mas cujas vida e história, pacientemente contadas pelo seu filho e meu avô, muito me influenciaram e influenciam.

“O Fiandeiro” foi o título de um Jornal editado pela Associação de Classe dos Operários Fiandeiros do Porto no período entre 1897 e 1915, do qual o meu bisavô foi director, em meados de 1910 e que viria a dar origem ao seu cognome e, por extensão, ao da minha família.

Do meu bisavô diz a história que, tendo iniciado a vida como trabalhador têxtil, se destacou pela sua inteligência, forte carácter e dons de oratória. Acabou por se tornar dirigente sindical e destacar-se como defensor dos direitos dos trabalhadores por cuja legislação clamou na implantação da República, da qual foi acérrimo defensor.

Foi fundador do sindicato da indústria têxtil com sede em Negrelos e extensivo a Santo Tirso. O Porto, Vale do Ave e Vale do Vizela foram cenários da sua intensa actividade em prol do (então chamado) operariado.

Para além desta ligação ao jornal “O Fiandeiro”, que haveria de marcar indelevelmente o seu percurso, esteve também ligado aos jornais: “A Lucta Operária”, classificado por Fernando Castelo Branco como um jornal socialista; “O Debate”, de Santo Tirso, órgão republicano local; “A Desforra”que dirigiu e editou depois de regressar das campanhas no sul de Angola e que se assumia como órgão defensor dos pobres; e o “Primeiro de Janeiro”, no qual se destacou como revisor, actividade que acumulou até ao final da sua vida, em 1946, com a de guarda-livros.

Zeferino Moreira CoelhoDe todos os relatos sobre o meu bisavô, guardo um que me marcou profundamente e que explica porque a partir de determinada altura da minha vida - já lá vão cerca de quinze anos - coloquei para sempre o seu retrato na minha secretária.

A dado momento da sua actividade, um grupo de industriais da região juntou-se e ofereceu-lhe uma soma avultada em troca do seu silêncio. Apesar das dificuldades de uma vida modesta e das preocupações com o sustento de uma prole de cinco filhos e mulher, o Fiandeiro terá respondido peremptoriamente: “enquanto tiver uma caneta e força nesta mão não me calo!”

Tenho o orgulho e a sorte de guardar a sua última caneta que me foi entregue pelo meu avô, sem dúvida a mais preciosa herança a que algum dia poderia almejar. Entendia-a sempre também no seu simbolismo: constitui, de certa forma, um legado de um combate pela defesa dos direitos, liberdades e garantias. Um legado da expressão livre de convicções e ideias, que não se compromete senão com a verdade e a responsabilidade para connosco e com os outros.

O Fiandeiro abre-se assim agora como no passado como um “espaço de reflexão” de alguém que tem a responsabilidade de exercer cargos políticos, mas também de alguém que cultiva o desassossego.