Regresso?…

Alguns pensaram que me tinha acontecido “alguma coisa”. Outros chegaram a pensar que me tinha cansado definitivamente da escrita quase diária, que tinha desistido do Fiandeiro e que, indo ao encontro daquilo que alguns vaticinaram no início, este blogue tinha emergido na paralisia que costuma acometer este tipo de espaços ao fim de certo tempo…
Descansem. Nem uma nem outra coisa ocorreram, foi única e simplesmente a minha falta de conhecimento e habilidade para lidar com as novas tecnologias que acabou por me atirar para fora da blogoesfera, sem apelo nem agravo, obrigando-me a gritar socorro… não sem antes perder um bom tempo a tentar resolver sozinha aquilo que me era manifestamente impossível fazer sem ajuda… mas teimosia e “mania” de auto-suficiência foi coisa que nunca me faltou.
Regresso num momento em que as conversas telefónicas com quem me liga começam inevitavelmente com a pergunta: “Então o Narciso vai ser candidato a Matosinhos?”
Acabo por responder invariavelmente que segundo o anúncio do fim-de-semana vai. Mas a verdade é que este anúncio não reserva qualquer novidade. Ao longo dos últimos meses já perdi a conta ao número dos anúncios de candidatura à Câmara de Matosinhos feitos por Narciso Miranda.
Inusitada, ou talvez nem tanto, é a motivação invocada para esse anúncio “Matosinhos(…) perdeu voz, afirmação, credibilidade, liderança”.
Lê-se nesta apreciação uma forte crítica a Guilherme Pinto, seu sucessor e que só foi candidato com o seu apoio nas últimas autárquicas (como o próprio Narciso bem gosta ou gostava de vincar). Algo pouco consentâneo com aquilo que é a apreciação generalizada do desempenho de Guilherme Pinto, num primeiro mandato a que ainda falta cumprir mais um ano de exercício, e que tem merecido os maiores elogios de gente de Matosinhos e de fora do Concelho. Basta um olhar atento pela imprensa para facilmente nos apercebermos da dinâmica que conseguiu imprimir ao município.
No meio destes pensamentos eis que numa viagem de carro vem lapidar a sentença, pela voz de Caetano Veloso, na simplicidade de uma canção: “Narciso acha feio o que não é espelho”.
Narciso é assim. Como alguém escreveu um dia, o nome determinou-lhe de modo indelével o carácter.
Narciso avança?
Em nome da memória e dos afectos, desejo que não… procurando abster-me destas duas componentes e ser objectiva, penso que não… Mas uma coisa já não conseguimos evitar… o cumprimento da lenda… Narciso não resiste… precisa de se ver permanentemente reflectido em cada detalhe… o lago já não lhe responde com o esplendor de outros tempos… Narciso tem necessidade de o interrogar, de o confrontar e afoga-se aos poucos naquele que foi o segredo da sua beleza…
A única resposta que posso dar a quem me pergunta é que com a minha obstinada teimosia de contrariar o “destino” gostava de mudar o final da lenda.

Um comentário a “Regresso?…”

  1. israel eusebio moreira couto Diz:

    apos longa pesquisa vim com grande agrado saber que alguem seguiu as pegadas daquele que foi o grande homem na defesa dos oprimidos. zeferino moreira coelho o nosso bisavõ

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