Arquivo de Julho, 2008

O Mercado do Bolhão é causa nacional

4 de Julho de 2008

O movimento de defesa do Bolhão desceu a Lisboa e reforçou-se como causa nacional.
Ontem a Sociedade Portuguesa de Autores abriu as portas ao Bolhão, numa sessão em que a Plataforma de Intervenção Cívica apresentou o manifesto de defesa do Mercado:

“P A R T I C I P A Ç Ã O E C I D A D A N I A”
Porto, Fenianos - 14 de Junho de 2008
No Porto, no Clube Fenianos Portuenses, na sequência da calculada demolição do Mercado do Bolhão pela Câmara Municipal do Porto, a “Plataforma de Intervenção Cívica promoveu mais uma acção de cidadania onde estiveram em análise e discussão os seguintes temas:
• O Estado e a Gestão Pública;
• O Património e a Memória Colectiva
• O Equipamento ao Serviço dos Munícipes;
• A Memória e a Operacionalidade no Património.
Deste encontro resulta o seguinte Manifesto da Plataforma de Intervenção Cívica do Porto, Livre e agregadora de Justos interesses Patrimoniais, das Pessoas e das Organizações, surge com um carácter Cívico e de Cidadania, peticionária de 50.000 cidadãos, sem fronteiras geográficas, cuja mensagem é a defesa do Mercado do Bolhão, o Património e da Identidade da Cidade.
O Estado deve encontrar os Parceiros Culturais, Sociais e Económicos e manter a Gestão Patrimonial das Cidades e dos seus Bens.
Ao Município cabe estimar os Bens, o Património e a Identidade da Cidade, deve não só mantê-los operantes como candidatá-los aos “Fundos Estruturais da Comunidade Europeia”.
A Memória Colectiva deve ser projectada no Futuro. No presente, reabilitada com verdade!
Os Equipamentos, Públicos e os Privados, devem estar ao dispor da Comunidade num absoluto respeito pelo “Estado de Direito e de Cidadania”, de fomento de parcerias entre as Instituições - Culturais, Sociais e Económicas - e como instrumentos de Formação e de Educação.
As Pessoas, o Ambiente e o Edificado são a identidade Patrimonial no Lugar.
O Lugar deve ser Reabilitado para as Pessoas num absoluto respeito pela Memória e pelo Património.
A Manutenção do Lugar passa pelo exercício quotidiano de o preservar como Memória Colectiva dos seus Bens - Naturais, Populares e Eruditos.
O Restauro e a Reabilitação são acções do Colectivo Cultural, Social e Económico em que os organismos democráticos autárquicos, sobretudo as Juntas de Freguesia, serão determinantes no fomento e na gestão da manutenção da Identidade da Comunidade, do Ambiente e do Edificado.
A memória, quando agilizada com outras memórias, ajuda-nos distinguir e a estabelecer o Justo Interesse e, naturalmente, a justa manutenção do Património; - Vivo e Operado.

O Sonho continua a comandar a Vida.

Um momento marcado pelo encontro de duas cidades na defesa de uma marca da nossa memória colectiva.

O Porto é assim, generoso, altruísta, altaneiro e não recua quando se une em torno de uma grande causa.

Por isso, a Plataforma Cívica em defesa do Bolhão não pára e cresce a cada dia que passa.

Ontem éramos muitos numa acção em que além de mim participaram Manuel Alegre, João Teixeira Lopes, Joaquim Massena, Correia Fernandes.

Como disse aos muitos homens e mulheres do Porto que vieram a Lisboa afirmar “Viva o Bolhão”, tenho fé na alma do meu povo e o povo do Porto, em momentos chave, já deu sinais muito fortes aos governos da cidade e do país. Estou certa que vamos vencer esta luta.

Todos ao Bolhão em Lisboa!

2 de Julho de 2008

A Plataforma de Intervenção Cívica decidiu romper mais uma vez as muralhas que cercam o Porto e vir a Lisboa em defesa do Bolhão.

Amanhã, dia 3 de Julho, pelas 18h00, na Sociedade Portuguesa de Autores,  será apresentado o Manifesto  “Participação e Cidadania”.

Eu lá estarei. E porque o “Bolhão é nosso!” é bem português espero que lá estejamos todos.

Regresso?…

2 de Julho de 2008

Alguns pensaram que me tinha acontecido “alguma coisa”. Outros chegaram a pensar que me tinha cansado definitivamente da escrita quase diária, que tinha desistido do Fiandeiro e que, indo ao encontro daquilo que alguns vaticinaram no início, este blogue tinha emergido na paralisia que costuma acometer este tipo de espaços ao fim de certo tempo…
Descansem. Nem uma nem outra coisa ocorreram, foi única e simplesmente a minha falta de conhecimento e habilidade para lidar com as novas tecnologias que acabou por me atirar para fora da blogoesfera, sem apelo nem agravo, obrigando-me a gritar socorro… não sem antes perder um bom tempo a tentar resolver sozinha aquilo que me era manifestamente impossível fazer sem ajuda… mas teimosia e “mania” de auto-suficiência foi coisa que nunca me faltou.
Regresso num momento em que as conversas telefónicas com quem me liga começam inevitavelmente com a pergunta: “Então o Narciso vai ser candidato a Matosinhos?”
Acabo por responder invariavelmente que segundo o anúncio do fim-de-semana vai. Mas a verdade é que este anúncio não reserva qualquer novidade. Ao longo dos últimos meses já perdi a conta ao número dos anúncios de candidatura à Câmara de Matosinhos feitos por Narciso Miranda.
Inusitada, ou talvez nem tanto, é a motivação invocada para esse anúncio “Matosinhos(…) perdeu voz, afirmação, credibilidade, liderança”.
Lê-se nesta apreciação uma forte crítica a Guilherme Pinto, seu sucessor e que só foi candidato com o seu apoio nas últimas autárquicas (como o próprio Narciso bem gosta ou gostava de vincar). Algo pouco consentâneo com aquilo que é a apreciação generalizada do desempenho de Guilherme Pinto, num primeiro mandato a que ainda falta cumprir mais um ano de exercício, e que tem merecido os maiores elogios de gente de Matosinhos e de fora do Concelho. Basta um olhar atento pela imprensa para facilmente nos apercebermos da dinâmica que conseguiu imprimir ao município.
No meio destes pensamentos eis que numa viagem de carro vem lapidar a sentença, pela voz de Caetano Veloso, na simplicidade de uma canção: “Narciso acha feio o que não é espelho”.
Narciso é assim. Como alguém escreveu um dia, o nome determinou-lhe de modo indelével o carácter.
Narciso avança?
Em nome da memória e dos afectos, desejo que não… procurando abster-me destas duas componentes e ser objectiva, penso que não… Mas uma coisa já não conseguimos evitar… o cumprimento da lenda… Narciso não resiste… precisa de se ver permanentemente reflectido em cada detalhe… o lago já não lhe responde com o esplendor de outros tempos… Narciso tem necessidade de o interrogar, de o confrontar e afoga-se aos poucos naquele que foi o segredo da sua beleza…
A única resposta que posso dar a quem me pergunta é que com a minha obstinada teimosia de contrariar o “destino” gostava de mudar o final da lenda.