Ecos deste fim-de-semana
I
A Igreja e o Centenário da I República
Este fim-de-semana o “Expresso” noticiou com destaque que a Igreja está a avançar com um programa de investigação histórica a apresentar em 2010, por ocasião do centenário da implantação da República .
Um trabalho que visa “contar o que se passou com a Igreja durante a I República, (…) desde as perseguições, passando pela proibição do ensino da religião e do encerramento de colégios” e no qual estão envolvidos o Centro de Estudos da Universidade Católica e o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.
Relembra, ainda, a notÃcia as declarações de D. Eurico Nogueira, em 2005, quando do anúncio da criação da Comissão para as Comemorações do Centenário da República dizendo que a mesma não merecia “qualquer confiança, apesar de todos reconhecerem a capacidade cientifica dos elementos que a compõem”.
Colocar desta forma em causa a isenção de Vital Moreira, Romero Magalhães, António Reis, entre outros, parece-me no mÃnimo extravagante. Só alguma perturbação pode explicar esta atitude, por parte de dignitários da Igreja em Portugal.
Entendo que é positivo haver diversas organizações a promover iniciativas, uma vez que tal promoverá uma maior diversidade, envolvimento da sociedade e trará maior vivacidade às comemorações, mas é intolerável o tom de revanchismo que a Igreja empresta à apresentação deste estudo.
Tenho perfeita consciência dos muitos exageros cometidos, próprios dos climas revolucionários como o que se viveu então. Mas espero que, a bem do rigor, o trabalho de investigação também fale dos desmandos e actos de intolerância cometidos por muitos elementos da Igreja contra republicanos e suas famÃlias. Como a emboscada de que o meu bisavô chegou a ser alvo e que teve entre os seus mentores um clérigo.
II
“Os nossos neurónios”
A “NotÃcias Magazine” publica esta semana um artigo sobre dois dos nossos mais notáveis sociólogos, Fernando Ruivo e Daniel Francisco.
Sob o tÃtulo “A lógica do Eucalipto” é-nos apresentado um dos mais sintéticos e crus retratos da realidade do Poder Local em Portugal.
O entusiasmo e a clarividência de Fernando Ruivo deixam marcas nos seus discÃpulos, entre os quais se destaca Francisco Daniel… duas gerações, um só olhar sobre a nossa realidade.
Ao ler este texto não consigo evitar uma certa saudade do CES e do nosso MESTRE… um destes dias volto!
Até lá fico à espera da defesa da tese do Francisco Daniel- uma investigação sobre territórios europeus numa perspectiva comparada- algo que promete…
III
O Congresso
Alberto João Jardim não tem tento na lÃngua e o pior é que LuÃs Filipe Menezes, à falta de ideias e projectos para o paÃs e para o seu partido, decidiu seguir o seu exemplo de discurso soez, no encerramento do Congresso do PSD/Madeira.
Assim caminha o maior partido da oposição, de dislate em dislate até ao dislate final…