O Dislate

O PSD, nos últimos meses, vive num tal estado de permanente desacerto e contradição.

Diante do anúncio feito pelo Secretário de Estado Valter Lemos de que as escolas com problemas de “indisciplina generalizada” passarão a poder apresentar às respectivas Direcções Regionais de Educação propostas para reforço dos meios técnicos (através da contratação de psicólogos e mediadores de conflitos) o recentemente desautorizado porta-voz do PSD para a educação, Pedro Duarte, vem manifestar dúvidas quanto à concretização da medida, já que quanto à sua substância reconhece nada poder dizer em sentido contrário.

Mas, como se não bastasse a manifesta desorientação do comentário a esta medida prontamente acolhida pelos sindicatos dos professores, aproveitou para, à boleia, criticar o Governo por estar a “desvalorizar” o problema da indisciplina nas escolas. No seu entendimento, o Governo devia “dramatizar até como factor dissuasor”.

Um autêntico dislate a revelar alguma imaturidade política imperdoável para quem já tem tantos anos de experiência nestes meandros. Só nos faltava que o Governo desatasse a dramatizar para resolver fosse o que fosse.

Os problemas resolvem-se com medidas concretas de combate aos mesmos. Não pela dramatização em torno deles.

O problema do PSD parece ser cada vez mais esse muita encenação, muito dramatismo, muito marketing, muita imagem e pouco sentido de Estado… enfim, um partido à beira de um ataque de nervos sem encontrar o caminho de retorno à sua identidade.

Um comentário a “O Dislate”

  1. Alexandre Silva Diz:

    O problema do PSD é o problema que sempre afectou uma grande maioria de partidos políticos e de políticos.
    Quase sempre e a quase todos.
    E o problema é simples de identificar mas de difícil correcção - pelo menos para uma grande maioria dos envolvidos e de todos os quadrantes políticos: a ânsia de protagonismo (em especial na comunicação social - leia-se TV…), a ânsia de poder político (o tal que é mal pago mas que todos querem ter…)…
    Como corrigi esta situação? Julgo que apenas com a honestidade (em todos os sentidos) e coerência de cada um para consigo próprio.
    Não serve de nada, hoje, apresentar-se sistematicamente contra o governo porque o cidadãocomum já percebeu isso - eles estão contra porque não estão lá.
    O que o cidadão quer é competência, trabalho efectuado, correcção do que está mal (se não de uma vez pelo menos que se vá corrigindo pouco a pouco…) e verdade.
    E por falar em verdade, há quanto tempo, no PSD não sabem o que significa verdadeiramente aquela palavra?

    Meus caros assuma os vossos erros e as vossas coisas bem feitas. Todos nós somos imperfeitos.
    Mas uns, em especial na vida política, são mais verdadeiros que outros (mesmo que menos perfeitos)…

    Ao governo actual e à maioria dos seus elementos apenas há a dizer: força, mantenham o ritmo (já agora e se possível tentem aumentar o mesmo nas reformas necessárias). O populismo e a incompetência sempre terão os seus resultados à vista em 2009

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