O Justo de Bordéus
Hoje, a Assembleia da República foi palco da apresentação pública do museu virtual Aristides Sousa Mendes (www.mvasm.com).
Um trabalho notável que nos interpela a todos sobre a natureza humana no que tem de mais ignóbil (o holocausto nazi) e grandioso(a heroicidade de alguns, como Aristides Sousa Mendes).
Um projecto feliz, cuja abertura ao contacto do público se realizou na data em que se assinala o 20º aniversário sobre a reabilitação deste diplomata pelo Parlamento
A passagem pelos “corredores” deste museu virtual permite aceder a documentos, fotos e filmes inéditos sobre a vida daquele que em 1940, na qualidade de cônsul português em Bordéus, assinou os vistos que permitiram a 30.000 refugiados fugir aos horrores do nazismo. A maior operação de salvamento efectuada por um só individuo.
A memória do justo de Bordéus fica, assim, à distância de um clique, seja qual for o ponto do globo em que nos encontremos.
Fica no seu lugar, ou seja, em todos os lugares e em lugar nenhum. A mais justa dimensão para guardar o registo do gesto heróico deste ser humano cuja dimensão é tal, que lugar algum era capaz de albergar.
Fica aqui o incitamento a uma “viagem” que nos mostra como, por vezes, um só ser humano consegue fazer toda a diferença.