Polis de Gondomar

Somos muitas vezes questionados sobre a eficácia das perguntas e requerimentos dirigidos pelos deputados ao Governo e instituições públicas.
Pois bem, fica aqui o registo de uma dessas iniciativas com resultados visíveis. Falo da intervenção Polis em Gondomar.
Constam entre os documentos disponíveis nesta página dois requerimentos apresentados ao Ministério do Ambiente sobre a situação das obras de requalificação da zona ribeirinha entre Gramido e Atães.
Uma intervenção marcada por vários percalços: o atraso na execução, que acabou por conduzir a uma adenda ao contrato-programa inicial; a falta de envolvimento das populações e de informação no local; e ainda pelo facto de a Casa Branca de Gramido -onde foi assinada a convenção entre liberais e miguelistas - depois de ver concluída a sua recuperação em Abril de 2006, ter ficado até hoje sem abrir ao público.
Recebi a resposta à pergunta que dirigi ao Ministério do Ambiente. Mas antes dela chegar eram já bem visíveis os efeitos provocados pela publicação de notícias na comunicação social sobre esta iniciativa.
Os jornais locais têm publicado diversas notícias sobre o Polis.
A zona de intervenção é agora assinalada por placas informativas.
As agendas municipais são preenchidas por processos administrativos, que passaram a desenvolver-se a outra velocidade.
Pena é que a Casa Branca continue na mesma… Mas a resposta ao requerimento garante que “o Gabinete do Coordenador do Programa Polis irá acompanhar o desenvolvimento deste processo até que se verifique o cabal cumprimento dos objectivos” do projecto.
Espero que a breve trecho este edifício seja aberto ao público e seja travado o estado de degradação em que começa a entrar, depois da realização de obras orçadas em 1 milhão de contos.
Todavia, para isso é preciso que seja definida uma finalidade para a utilização do imóvel, o que parece difícil dada a diversidade de fins sucessivamente anunciados e a necessidade de realização de obras de adaptação do interior do edifício, que o cumprimento de algumas hipóteses anunciadas implicará. Algo que teria sido evitado se o projecto tivesse sido orientado para uma utilização determinada. Elementar, ou talvez não…
A Casa Branca e toda a intervenção Polis bem o retrato daquilo que é a gestão camarária em Gondomar. O mais completo desnorte, marcado pela política do imediatismo, do foguetório fácil, sem um fio condutor, sem uma linha estruturante, que nos permita vislumbrar um golpe de asa futuro. Enfim, uma completa navegação à vista conduzida numa lógica do “logo se verá”, que coloca Gondomar na cauda da Área Metropolitana do Porto.
Algo tão mais lamentável quanto são certas e visíveis as potencialidades do concelho, desbaratadas pela falta de visão estratégica daqueles que têm os destinos do município nas mãos.

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