Febre Regionalizadora

O PSD/Porto parece tomado de uma súbita “febre regionalizadora”. É agora a vez de Marco António Costa, presidente da federação distrital do Porto, vir a público dizer que pretende que o processo de criação de regiões administrativas esteja concluído antes das eleições autárquicas, de modo a que as eleições possam ser feitas ao mesmo tempo.

Faz assentar esta sua determinação na “leitura” do clima político que qualifica de amplo consenso.

Tudo afirmações feitas, segundo as notícias, no âmbito de um encontro com o líder do PP Galego, justificando esta urgência com a necessidade de afirmar a euro região Galiza e Norte de Portugal.

Muito bem fala o Dr. Marco António. Pena é que durante os anos de governação do PSD, na mesma altura em que o Norte perdia velocidade a olhos vistos, não o tivéssemos ouvido falar assim.

Ou será que o Dr. Marco António confunde o processo de regionalização com o acto de instalar o seu Gabinete de Secretário de Estado na Rua António Patrício, algo cujo efeito deve ter sido tão importante para o Norte que já ninguém se lembra…

Ao contrário do que esta súbita pressa do Dr. Marco António sugere, regionalizar é muito mais que publicar um decreto. Implica reajustamentos dos mapas administrativos fazendo com que os serviços desconcentrados dos diferentes ministérios convirjam num só mapa, medida que este Governo está a implementar. Implica que o centro da decisão política transfira competências, capacidade de decisão e recursos para as esferas regionais e implica a adesão dos cidadãos a uma nova forma de organização administrativa. Implica tempo e maturação.

Esquecer isto é fazer com que qualquer impulso regionalizador falhe por precipitação, inépcia, ou falta de efectiva vontade política. E isso é algo imperdoável, porque a regionalização não pode ser apenas um tema que se tira da cartola para encher a agenda política.

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